Cada peça do Relicário nasce de uma escolha cuidadosa de sementes do Cerrado — nada de matéria-prima genérica ou importada. Trabalhamos com o que esse bioma único oferece:
O buriti entra com seu dourado quase metálico, semente-símbolo das veredas que cortam o Cerrado. O jatobá contribui com tons escuros e uma dureza que promete durabilidade. A paineira traz leveza, quase como se ainda estivesse presa ao vento que a espalhou pelo campo. Sucupira e tento aportam o vermelho e o preto da terra queimada — cores que contam a história de um bioma que se renova pelo fogo. A canoinha, espata que protegia as flores da palmeira antes de florescerem, chega às nossas mãos como símbolo de proteção, com sua textura fibrosa e tom palha. O tingui, semente achatada e marrom, carrega a resistência das árvores que aprenderam a viver na seca do Brasil central. E a semente sino, com sua silhueta que lembra um pequeno sino, adiciona volume e caráter a cada composição.
Nenhuma semente é arrancada da natureza fora de época ou em prejuízo do ciclo das plantas — colhemos o que já caiu, já secou, já cumpriu seu papel na árvore-mãe. Cada material passa por seleção, limpeza e, quando necessário, tratamento natural antes de virar arte. O resultado: peças que carregam, literalmente, um pedaço do Cerrado.
